Falhas de pontos de ancoragem – análise

O Projeto Titã criou um formulário on-line https://goo.gl/forms/D2shQnm70D9rjIGZ2 para o registo de todas as falhas reportadas no território nacional de modo a caracterizar o problema de corrosão de pontos de ancoragem.

Apresentamos agora a análise dos resultados obtidos neste levantamento num relatório acessível aqui: https://www.dropbox.com/s/ixr5m7pvrxg3190/Falhas%20de%20pontos%20de%20ancoragem%20em%20Portugal%20Continental.pdf?dl=0. Estes resultados deverão ser encarados como preliminares, sendo que mais dados serão importantes para reforçar a análise e se conhecer melhor o processo corrosivo dos pontos de segurança. Assim, pedimos a todos os que tiverem testemunhado a falha de algum ponto para preencherem o formulário de registo e, caso tenham qualquer outra informação que vos pareça importante, nos contactarem por e-mail para projetotita@gmail.com.

Até ao presente, foram registados 39 casos de falhas de pontos de ancoragens em Portugal Continental em sete áreas de escalada costeiras: Casal Pianos; Cabo da Roca (sectores Cascata da Praia da Ursa, Perdido, Espinhaço, Lobo Mau, Promontório); Meio Mango; Pinheirinhos; Sesimbra (sector Dente de Leão); Fojo; Sagres (sectores Armação Nova e Corgas). Existem ainda locais que são pouco frequentados e ainda não foram intervencionados, nos quais poderão existir também pontos que não oferecem segurança. Temos registo de pontos falhados instalados desde 1999 até 2012. A maioria dos pontos que falharam encontrava-se a menos de 20 metros de distância do mar. Não foram reportadas falhas a mais de 50 metros de distância do mar.

Foram observadas falhas em todos os tipos de rocha: 60,5% das falhas registadas foram em granito, 31,6% em calcário e 7,9% em basalto. No entanto, isto não implica que o granito seja uma rocha que potencia a falha dos pontos de ancoragem, já que as vias em granito no litoral são mais antigas, estando o processo de corrosão em desenvolvimento há mais tempo.

Todos os pontos falhados são feitos de aço inox A2 também denominado de 304. Destes, 94,4% são pernos de expansão sendo os restantes casos 2 tijes da praia da Ursa e 2 maillons marcados com a referência 316 (que os testes mostraram não serem sequer A2). A falha mais comum foi a falha do próprio perno (na zona de contacto plaquete-porca-rocha). Encontraram-se ainda alguns caso de porcas rachadas (Armação, Espinhaço, Ursa) e cinco situações das tijes que falharam.

Pretendemos, num futuro próximo, testar nas vias a reequipar/reequipadas os pontos antigos com uma máquina de testes de carga da FCMP e posta à disposição do Projeto Titã e verificar se estes pontos ainda apresentam os valores de resistência exigidos pela norma EN 959 de 15 KN à extração. Estes testes dar-nos-ão informação muito relevante sobre o estado dos pontos de segurança. Poderemos por exemplo testar  até que ponto os pontos em inox A4 e outros materiais se mantêm seguros para utilização. A título de exemplo testámos já um “U” caseiro na Praia da Ursa que falhou com um carga de 12 KN, no entanto por se tratar de um U em que a carga estava a ser distribuída pelos duas secções embutidas supomos que o ponto falhou com cargas bastantes inferiores. Nota-se a quebra por SCC e corrosão de metade da secção da peça. Pelo que se considera muito prudente não confiar nestes pontos que sabemos existirem nas vias das Varandas e Praia (na serra da Azóia) e na Parede Grande em Sagres.

Tiges partidas na Praia da Ursa, Cabo da Roca

 

U caseiro numa das vias do Fojo que entretanto já foi reequipada. Este U é semelhante ao que partiu na Praia da Ursa. Considerem todos os Us semelhantes perigosos.
U de fabrico caseiro que partiu na Praia da Ursa, Cabo da Roca

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