Novo Fojo Novas Vias

Já há muito tempo que ouvia falar numa grande parede adjacente ao Fojo mas, tirando alguns relatos sobre tentativas frustradas de abrir vias, nada sabia de concreto acerca desta falésia. Era mais um caso de uma possibilidade do mítico “El dorado” português que faz parte do imaginário de qualquer equipador que, nesta terra, tem que caçar com gato ou fazer do gato-sapato.

Parece que no tempo em que os animais falavam o Emílio e o Gorjão já lá tinham tentado equipar umas vias na parte superior da parede mas foram traídos pela bateria. Por sua vez, o Roxo também tentou conquista-la vindo de baixo mas desistiu ao fim de alguns metros de rocha podre. O que, tratando-se de quem é, nos deixa a pensar em cascalheiras verticais e em entulhos periclitantes. Bastante mais tarde, o Francisco teve o sonho de abrir uma linha dura de alto abaixo mas, porque o mundo é grande, nunca passou da fase de reconhecimento com um rappel de 100m e um jumareio de 120m.

Eu, embora muito curioso de ver esta parede, acabei sempre por adiar o dia de lá ir. Talvez por preguiça, pois uma parede com mais de cem metros implica uma logística complicada e umas costas frescas (o que raramente me acontece).

Quando o Gaspar e o Loureiro se propuseram lá abrir uma via, acompanhei a aventura de perto, desejoso de poder escalar e ver que possibilidades haveriam para novas vias. No final de cada um dos muitos dias que esta dupla dedicou a esta empreitada, aka, obras de Santa Engrácia, eu ligava a melgar, pedindo novidades. Na primeira oportunidade fui conhecer as vias e fiquei motivado para explorar melhor a parte de cima da parede, sem dúvida a mais sólida e mais apelativa. Como quase sempre acontece, o sonho do “el dorado” desvaneceu-se e a crua realidade veio ao de cima: um ambiente fantástico sobre o mar mas uma parede sofrível com algumas linhas que pareciam sair interessantes.

Esta minha passagem pela parede foi há três meses atrás mas só na semana passada é que me decidi a ir lá equipar. Afinal, aquela parte superior da parede superou em muito as minhas expectativas, uma parede contínua em rocha de alta qualidade, com algumas chorreiras tipo Kalimnos e um alto ambiente “atlântico”, em suma, pouco potencial mas cinco estrelas.

Resultado: mais uma nova via de dois largos e outros dois largos com uma reunião comum. Destes largos, três já estão encadeados faltando a “Terra de Cegos” que ainda não está limpa pois foi equipada ao lusco-fusco. (As vias “Terra de Cegos” e “Profecias de Nostragramos” têm essa reunião comum três metros abaixo da “Vamos aos Ninhos” para ser possível rapelar sem roçamento de corda, esta reunião esta só com plaquetes e não tem maillons)

Acesso (plágio, roubado aos primeiros equipadores da parede): Rappel pelo topo da falésia. Deixar o carro no mesmo estacionamento do Fojo. A meio do caminho para o Fojo, virar à direita ao chegar às clareiras. Seguir no estradão em direcção a Oeste cerca de 1mn. Ao chegar a um cruzamento em forma de triângulo com arbustos rasteiros, virar em direcção ao mar. Andar 2 min. por um caminho de pé posto até ao topo da falésia (se estiver a arranhar demais, voltar atrás e procurar o caminho certo). É possível rapelar por qualquer uma das vias pois todas elas começam num género de varanda onde foi equipado um corrimão que une as várias vias. A parede só se encontra à sombra a partir das duas horas da tarde (pelo menos em Agosto/Setembro).

Por último tenho de agradecer ao Gaspar e ao Loureiro por terem deixado estas vias para eu equipar e à Diedro e Espaços Naturais pelos bons descontos em material.

Nuno Pinheiro.

Comments

  1. Só vos digo que aquela linhazita azul da foto, é das melhores vias de Portugal. Imperdível. Há que comer aquela meia laranja e calçar aquela meia branca! Mexam-se ou apanham a via já gasta.