Acidentes

Este mês está a ser prolífero em acidentes:

Na semana passada partiu um perno em Sesimbra, no sector Vertigem (ver história aqui – https://climbingpt.com/vertigem-mais-um-sector-onde-afinal-os-pernos-tambem-partem/). A via em causa já tinha sido identificada pelo projeto titã como perigosa por estar em Inox A2, mas infelizmente os escaladores envolvidos não conheciam a base de dados onde essa informação se encontra (https://www.dropbox.com/s/rw8xaw80la6bhso/Listagem_ViasIntervencionadas.xls?dl=0)  e, apesar de suspeitarem do aspeto ferrugento das proteções, acharam que podiam “arriscar”.

 

Este fim de semana, houve outro incidente em Sesimbra. Desta vez não por falha de material, mas porque um escalador “perdeu” a corda durante a manobra no top e teve de ser socorrido por bombeiros.

 

Finalmente, neste passado sábado houve ainda um acidente grave em Sagres com a queda de uma escaladora ao solo. Esta queda ocorreu pela falha de um maillon que estava colocado na primeira protecção da via. A escaladora optou por conectar a sua express ao maillon em vez de passar a mesma directamente na plaquete. Acontece que em Sagres muitas vezes a rocha está húmida e escorregadia e tornou-se rotineiro descer num maillon e abandonar o mesmo pela impossibilidade de chegar ao topo da via. Temos assim maillons abandonados em diversos pontos intermédios (ver fotos em baixo). Estes maillons são normalmente de ferro e passados alguns meses estão cheios de ferrugem, o que torna  impossível a sua remoção da plaquete. Passados alguns anos estes “restos” são um perigo mortal a quem confiar neles.

 

O ponto comum a todos estes incidentes é que teriam sido facilmente evitados se os escaladores em causa tivessem mais cuidado/conhecimentos/informação. Por isso resolvemos fazer um post com mais alguns conselhos que esperemos vos ajudem a tomar decisões mais seguras:

 

  1. Se costumas andar com maillons para abandonar, compra maillons em inox A4. O líder europeu é a marca Maillon Rapide, que deixamos aqui como referência de grande qualidade (já tivemos dois casos de maillons inox de fabricantes desconhecidos que partiram no Meio Mango). Assim podes sempre voltar noutro dia e recuperar facilmente os teus maillons ou, sendo em inox A4, os mesmos não se tornam um perigo mortal para outros escaladores caso não os recuperes. Se, por outro lado, tiveres uma cana (ou alguém na falésia tiver) podes sempre fazer batota e subir até ao top e recuperar todas as tuas expresses e não deixar nenhum maillon abandonado.
  2. Quando estás por exemplo no quinto ponto de uma via e não consegues progredir mais e resolves abandonar a via deves colocar o maillon nesse quinto ponto e um segundo maillon de back up no quarto  ponto, só assim crias a redundância caso o quinto ponto falhe, ou então usas um maillon e e um nó prussik (consulta os conselhos da Petzl em baixo sobre como proceder nestas situações). No fundo é como se estivesses a montar um top em 2 pontos.
  3. Inspeciona sempre o material onde te vais pendurar. Mesmo nas vias no interior do pais os maillons são fortemente atacados pela corrosão, como por exemplo na foto tirada na Redinha neste fim de semana. Mesmo na serra do Sicó que podemos considerar como um local “seco” a humidade é uma constante e a corrosão galvânica destrói lentamente os pontos de protecção. Se um maillon, perno, plaquete te parece em mau estado, não arrisques! Mais vale abandonar a via, mesmo que isso implique deixar material. Repara nas imagens em baixo e procura identificar 2 plaquetes com maillons em que a porca está rachada, estes caso são mais comuns do que tu julgas.
  4. Tem também especial atenção aos maillons “fixos” em express “fixas”. Muitas vezes há desgaste desse material pelas sucessivas quedas e a falta de cuidado na manutenção/substituição destes pontos chega a casos caricatos como o representado em baixo (retirado de Poios).
  5. Verifica que tanto tu como o teu companheiro de cordada conhecem os nós e as manobras necessárias para escalar e para descer das vias em segurança. Em caso de dúvida, perguntem ou informem-se com antecedência.
  6. Faz parte da solução:

. Partilha a informação. Ainda há escaladores que nunca ouviram falar em corrosão. Partilha os posts do SEA/projeto titã (https://climbingpt.com/category/sea/); partilha este post, partilha a base de dados, informa os teus amigos que não costumam ver as redes sociais!

. Contribui para a base de dados. Se encontrares alguma via em mau estado, partilha essa informação connosco (projetotita@gmail.com);

. Apoia o projeto titã e os reequipamentos.

Maillon abandonado em Sagres numa plaquete+ perno Inox A2
Maillon abandonado em Sagres. Confias neste?
Coleção de maillons abandonados em Sagres
Mais outro maillon de sagres…
Top de via da Redinha. E neste, confias?
Maillon abandonado numa via da Redinha
Maillon abandonado no Dente de Leão. O Perno em Inox A2 também apresenta sinais bem visíveis de corrosão
Maillon que estava numa espresse fixa numa via de Poios
Maillon de “marca branca” que partiu no Meio Mango
Instruções da Petzl para abandonar uma via num ponto intermédio
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